🚀 60% OFF para turbinar seus estudos! Assine agora

Judeus: quem são, origem, suas crenças e cultura

Lucas Pereira
Lucas Pereira
Professor de História

Os judeus são os seguidores do Judaísmo, uma das religiões monoteístas mais antigas da humanidade.

Essa religião está fundamentada na Torá, livro que contém ensinamentos e mandamentos divinos. Além disso, a fé judaica se baseia em uma rica tradição oral e escrita, que inclui o Talmude e outros textos sagrados.

Judeus ortodoxos com trajes tradicionais oram em Jerusalém.
Muro das Lamentações, Jerusalém (Autor: yeowatzup)
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Western_Wall,_Jerusalem,_%2816037897867%29.jpg
Licenciado sob CC BY-SA 2.0

Historicamente, os judeus estão ligados aos hebreus, considerados seus antecessores. Os hebreus foram um povo da Antiguidade que se estabeleceu na região de Canaã, onde hoje ficam Israel e a Palestina. Ao longo do tempo, formaram os reinos de Israel e Judá, sendo este último a origem do termo "judeu".

Ao longo da história, os judeus enfrentaram períodos de dispersão forçada conhecidos como diáspora. Mesmo espalhados pelo mundo, preservaram sua religião, tradições e identidade cultural.

Apesar de diferenças internas, os judeus compartilham uma herança cultural e religiosa que se manteve viva ao longo dos séculos.

As origens do povo judeu

Os judeus atuais estão diretamente ligados aos hebreus, povo que viveu na antiguidade e que é considerado seu antecessor.

Por volta de 2000 a.C, os hebreus habitavam a região de Ur, na Caldéia, atual Iraque. Viviam organizados em clãs e eram liderados por patriarcas. Segundo a narrativa bíblica, o patriarca Abraão, por volta de 1800 a.C, teria ouvido uma mensagem divina orientando que ele conduzisse seu povo à Terra Prometida (Canaã, atual Palestina e Israel).

Com a fixação em Canaã, os hebreus passaram por períodos de migração, escravidão no Egito e posterior libertação, conforme narrado na tradição bíblica.

A liderança de Moisés e sua a aliança com Deus, simbolizada na entrega dos Dez Mandamentos, fortaleceram a identidade religiosa e cultural desse povo.

Depois da conquista de Canaã, liderada por Josué, os hebreus se organizaram em tribos. Com o tempo, formaram um reino e tiveram reis como Saul, Davi e Salomão. O reino se dividiu depois e foi dominado por outros povos. Ainda assim, a identidade judaica permaneceu, mesmo com as diásporas.

Uma representação antiga dos Hebreus. Nela, é possível identificar os personagens Samuel, Davi e um conjunto de seguidores.
Uma representação dos hebreus antigos na sinagoga de Dura-Europos. (Wikicommons)

Judeus ou Hebreus

Nos primeiros séculos de sua existência, este povo era identificado como hebreu, termo utilizado para se referir a grupos seminômades que habitavam Canaã e regiões vizinhas. Com o estabelecimento do Reino de Israel e, posteriormente, do Reino de Judá, a identidade judaica começou a se consolidar.

O termo "judeu" passou a ser mais amplamente utilizado após o exílio babilônico (586 a.C.), especialmente para se referir aos descendentes dos habitantes do Reino de Judá.

O judaísmo, como religião estruturada, desenvolveu-se a partir de práticas e crenças dos antigos hebreus, codificadas na Torá.

Durante os reinados de Davi e Salomão, Israel se tornou um Estado unificado. Mas, com a destruição do Primeiro Templo pelos babilônios (586 a.C) e do Segundo Templo pelos romanos (70 d.C.), os judeus foram expulsos de sua terra.

As diásporas hebraicas

Os hebreus passaram por vários exílios forçados em sua história, episódios conhecidos como diáspora.

A primeira grande dispersão ocorreu no exílio babilônico, em 586 a.C. Mais tarde, em 70 d.C., a destruição do Segundo Templo pelos romanos intensificou esse processo, espalhando os judeus por diferentes regiões do mundo.

Após a dispersão, em cada lugar que se refugiaram, as comunidades judaicas preservaram suas tradições, adaptando-se sem perder a identidade. A vida social permaneceu em torno das sinagogas e da liderança dos rabinos (sacerdotes judaicos).

Entre os subgrupos judaicos formados após a diáposra, se destacam os:

  • Asquenazitas: situados na Europa Central e Oriental, falavam ídiche e criaram suas próprias tradições.
  • Sefarditas: localizados na Península Ibérica e do Norte da África, preservaram costumes distintos e falavam ladino.
  • Mizrahim: nome dado aos judeus do Oriente Médio, mantiveram práticas próximas às dos antigos judeus babilônicos.

Crenças e práticas religiosas dos judeus

O judaísmo é uma religião monoteísta centrada na crença em um Deus único e transcendente.

A Torá, composta pelos cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica, é a base fundamental da religião, contendo leis e preceitos que orientam a vida judaica. Além da Torá, outros textos como o Talmude possuem importância na interpretação e aplicação da lei judaica ao longo da história.

Entre as práticas essenciais do judaísmo está o Shabat, o descanso semanal que vai do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado.

A cáserut, conjunto de regras alimentares, determina quais alimentos são permitidos e como devem ser preparados.

Também há diversas festividades religiosas, como Pessach, que celebra a libertação dos hebreus do Egito, Yom Kipur, o Dia do Perdão, e Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, cada uma com seus próprios significados e rituais.

Diferenças entre Judaísmo e Cristianismo

O cristianismo, outra importante religião monoteísta contemporânea, surgiu dentro da comunidade judaica no Império Romano.

Em seu primeiro século de história, os cristãos eram vistos como uma das muitas correntes judaicas. No entanto, diferenças fundamentais levaram à separação gradual entre as duas religiões:

  • Messianismo: O judaísmo aguarda a vinda de um Messias que restaurará Israel e promoverá a justiça divina. Já o cristianismo identifica Jesus como esse Messias e Filho de Deus.

  • Salvação e Conduta: No judaísmo, a retidão é alcançada pelo cumprimento das leis divinas e pelas boas ações. No cristianismo, a fé em Jesus é central para a salvação.

  • Texto Sagrado: O judaísmo segue a Torá e o Talmude, enquanto o cristianismo adiciona o Novo Testamento à Bíblia Hebraica.

Além das diferenças teológicas, eventos históricos também intensificaram a ruptura entre judeus e cristãos. A destruição do Segundo Templo, em 70 d.C., teve um impacto profundo na identidade judaica e aprofundou as divergências entre os dois grupos.

Mas, apesar das diferenças, as duas religiões compartilham raízes comuns e continuaram a se influenciar mutuamente ao longo da história.

O Judaísmo na atualidade

O judaísmo moderno é diverso e se adapta às sociedades contemporâneas. Suas correntes variam em relação à interpretação das leis e tradições.

O judaísmo ortodoxo mantém uma observância rigorosa, enquanto o conservador busca equilibrar tradição e modernidade. Já o judaísmo reformista introduziu mudanças na liturgia e nas práticas para melhor se ajustar à vida moderna.

Cena de um judeu ortodoxo em oração.
Judeu ortodoxo rezando no Muro das Lamentações em Jerusalém, Israel (Autor: Fronl)
Licenciado sob CC BY-SA 4.0

Com o estabelecimento do Estado de Israel em 1948, os judeus voltaram a ter um território próprio, fortalecendo sua identidade cultural e religiosa em escala global.

Continue aprofundando os seus estudos sobre o assunto:

Referências Bibliográficas

GOLDENBERG, Robert. The Origins of Judaism: From Canaan to the Rise of Islam. Cambridge University Press, 2007.

JOHNSON, Paul. História dos Judeus. São Paulo: Imago, 1995.

SACHAR, Howard M. A History of the Jews in the Modern World. New York: Vintage Books, 2005.

Lucas Pereira
Lucas Pereira
Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2013), com mestrado em Ensino de História pela mesma instituição (2020). Atua como professor de História na educação básica e em cursos pré-vestibulares desde 2013. Desde 2016, também desenvolve conteúdos educativos na área de História.